Joaquim Tauzene, Rádio Pax Beira-Moçambique
Foi na manha desta quarta-feira que o distrito de Nhamatanda, em Sofala, acolheu o lançamento da primeira pedra do projeto de expansão da capacidade do oleoduto da Companhia do Pipeline Moçambique-Zimbabwe (CPMZ), uma infraestrutura considerada estratégica para o abastecimento de combustíveis na África Austral.
O projeto prevê a construção de duas novas estações de bombagem, uma em Nhamatanda, na província de Sofala, e outra em Manica, com o objetivo de aumentar a capacidade de transporte do oleoduto dos atuais 3 milhões para 5 milhões de metros cúbicos de combustível por ano.
A infraestrutura liga o Porto da Beira, em Moçambique, ao Zimbabwe, através do sistema Beira-Feruka, e desempenha um papel importante no fornecimento de gasóleo, gasolina e combustível de aviação para o mercado regional.
Durante a cerimónia, o Presidente da República, Daniel Chapo, destacou a importância do investimento não apenas para Moçambique e Zimbabwe, mas para a integração económica da África Austral.
O Chefe do Estado moçambicano explicou que a expansão pretende preparar a infraestrutura para acompanhar o crescimento das cidades, da indústria, da mineração, da agricultura, dos transportes, da logística e do comércio.
A primeira fase da expansão já tinha permitido elevar a capacidade do oleoduto de 2 para 3 milhões de metros cúbicos por ano. Com a nova fase, a meta passa a ser de 5 milhões de metros cúbicos anuais. Para Chapo, o investimento representa uma aposta nas necessidades económicas das próximas décadas.
Do lado do Zimbabwe, o Presidente Emmerson Mnangagwa considera que a expansão vai aumentar a capacidade e a eficiência do sistema de transporte de combustíveis entre o Porto da Beira e o seu país.
Mnangagwa defende que uma maior capacidade de transporte poderá contribuir para reduzir riscos de interrupção no abastecimento, sobretudo num contexto marcado por tensões geopolíticas e conflitos que podem afetar as cadeias internacionais de fornecimento.
Segundo o Presidente zimbabweano, a segurança energética é fundamental para sectores como agricultura, mineração, indústria, transportes e construção, considerados motores do crescimento económico.
Além do Zimbabwe, a infraestrutura beneficia potencialmente outros mercados do hinterland, incluindo Zâmbia, Malawi, Botswana e República Democrática do Congo, reforçando o papel do Porto da Beira como uma das principais portas de entrada e distribuição de combustíveis para a região.
Para Moçambique, o investimento representa ainda o reforço de uma infraestrutura localizada num dos principais corredores logísticos do país. Para o Zimbabwe, significa maior segurança no acesso aos combustíveis através do Porto da Beira.
Primeira pedra lançada em Nhamatanda marca não apenas o início de novas obras de bombagem, mas também uma nova etapa na cooperação energética entre Moçambique e Zimbabwe.





