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CLIMA, FALTA DE FINANCIAMENTO E ACESSO A SEMENTES DESAFIAM PRODUÇÃO AGRÍCOLA EM SOFALA

Joaquim Tauzene, Rádio Pax Beira-Moçambique

A união provincial dos camponeses de Sofala alerta que as mudanças climáticas, a falta de financiamento e o acesso limitado a sementes de qualidade continuam a comprometer a produção agrícola na província. A preocupação foi manifestada pela presidente da organização, Christina Richard-Madison.

Entre os principais desafios apontados está a instabilidade climática. A irregularidade das chuvas e os períodos de calor intenso têm provocado perdas nas culturas e dificultado o planeamento das campanhas agrícolas. Em alguns distritos, a produção de milho foi afetada pelo excesso de sol, enquanto noutros as chuvas não resultaram em colheitas satisfatórias.

O acesso a sementes de qualidade constitui outro constrangimento. Muitos agricultores dependem de sementes nativas, de baixo custo e reutilizáveis, mas que nem sempre resistem às condições climáticas adversas. Já as sementes melhoradas apresentam maior produtividade e resistência, porém exigem recursos financeiros para a sua aquisição.

Na mesma linha, associações de produtores locais apontam dificuldades semelhantes. Manuel Gonçalves, da Associação Comunitária para o Desenvolvimento Social Integrado (ACODES), afirma que a instabilidade climática continua a ser um dos principais entraves à produção, comprometendo o ciclo agrícola e o planeamento das campanhas.

O acesso a insumos e à assistência técnica também preocupa. Sem apoio técnico adequado, alguns agricultores acabam por adquirir sementes de baixa qualidade, o que resulta em perdas e redução da produtividade.

Refira-se que a União Provincial dos Camponeses de Sofala trabalha em 13 distritos da província, incluindo Beira, Dondo, Nhamatanda, Buzi, Machanga, Gorongosa, Marínguè, Cheringoma e Caia. A organização apoia agricultores familiares através de capacitação, promoção de poupança, organização comunitária e inclusão de mulheres e jovens na produção.

Já a “ACODES”, criada em 2022, conta atualmente com 31 associados e atua no apoio direto aos produtores de pequena escala, com foco na melhoria das condições de produção, no acesso a insumos e no fortalecimento das iniciativas coletivas no setor agrícola.

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