Joaquim Tauzene Rádio Pax –Beira Moçambique
O jornalista Carlito Cadangue, correspondente da STV na província de Manica, escapou a um atentado a tiros quando regressava a casa com o filho, numa das artérias da cidade. O ataque, ocorrido a poucos metros da residência do profissional, está a gerar forte preocupação entre a classe jornalística e a sociedade civil.
De acordo com o próprio jornalista, uma viatura do tipo Ford Ranger, de cor preta, colocou-se à sua frente quando faltavam cerca de 300 metros para chegar a casa. Pouco depois, foram disparados vários tiros contra o seu carro. Um dos projéteis atravessou a parte traseira do veículo e atingiu o interior do lado do passageiro, onde se encontrava o filho, que escapou ileso.
Cadangue relata que, nos últimos dias, vinha recebendo alertas de que estaria a ser procurado por indivíduos não identificados, alegadamente em reação a reportagens investigativas sobre a exploração mineira e questões ambientais na província de Manica. Por receio de represálias, o jornalista afirma que já evitava circular à noite.
O caso gerou reações em vários setores. O analista político e docente universitário Samuel Simango, em entrevista à Rádio Pax na manhã desta quinta-feira, classificou o episódio como “inadmissível, condenável e inqualificável” e manifestou preocupação com o impacto do atentado na liberdade de imprensa.
Para o académico, o ataque deve ser analisado num contexto mais amplo de intimidação contra vozes que procuram influenciar a opinião pública e promover o respeito pelas normas no país. Na sua leitura, o trabalho investigativo desenvolvido por Cadangue sobre temas sensíveis na província poderá tê-lo colocado em confronto com interesses poderosos.
Simango defende que o atentado expõe fragilidades institucionais e levanta dúvidas sobre a capacidade do Estado de garantir a segurança de cidadãos que denunciam irregularidades. A existência de grupos com capacidade de intimidação e violência, acrescenta, representa um desafio à consolidação do Estado de direito e à proteção das liberdades fundamentais, incluindo o exercício do jornalismo.
O sociólogo Anastácio Tijó, também ouvido pela Rádio Pax, manifestou solidariedade ao jornalista e considerou o atentado um sinal alarmante para a liberdade de imprensa. Defende que as autoridades devem investigar o caso com celeridade e transparência, sublinhando a necessidade de garantias de segurança para os profissionais que atuam na recolha e difusão de informação de interesse público.
A Polícia da República de Moçambique, na Província de Manica, diz que até ao momento não dispõe de pistas que possam levar à localização e detenção dos homens que efectuaram disparos contra a viatura do jornalista da STV.
JORNALISTA DA STV EM MANICA ESCAPA A ATENTADO A TIROS E REACENDE DEBATE SOBRE SEGURANÇA DA IMPRENSA
O atentado contra Carlito Cadangue continua a gerar reações de solidariedade e preocupação em diferentes setores da sociedade, reacendendo o debate sobre a segurança dos jornalistas e o ambiente de exercício da liberdade de imprensa em Moçambique.

