Rogério Maduca – Beira
A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) emitiu um comunicado assinado no dia 4 de Setembro, pelo Arcebispo de Nampula e Presidente do organismo, Dom Inácio Saúre, resultante da Assembleia Extraordinária que decorreu no Seminário Filosófico Santo Agostinho (Matola), nos dias 2, 3 e 4 do mês em curso.
Pretendia-se com esta reunião do episcopado moçambicano, reflectir sobre a morte violenta e injustificada de Dom Osório Citora Afonso. No comunicado dirigido as comunidades cristãs e a todos os homens e mulheres de boa vontade, os Bispos dizem que a Igreja Católica em Moçambique e no mundo ainda vive com profunda dor e preocupação o assassinato sem precedentes na história do país. E lamenta que, apesar das diligências feitas até ao momento, nada se sabe sobre as autoridades competentes sobre o sucedido.
Questões como – “Quem matou exactamente Dom Osório? – Quem foram os autores morais e materiais desta morte violenta? – Quais seriam as motivações do assassinato? – Continuam sem respostas, passados 3 meses desde o fatídico dia.
A Conferência Episcopal de Moçambique encoraja as autoridades judiciárias, para que o esforço empreendendo desde o início em busca da verdade, não pare, para que se tome um caminho de esperança, reconciliação e de purificação capaz de sarar a ferida atroz.
Ao manifestar a sua solidariedade e proximidade com a Diocese de Quelimane, e reconhecendo a complexidade pastoral da mesma, a CEM nomeou dois Bispos que assistem fraternalmente o Administrador Apostólico, Dom Estêvão Ângelo, Bispo de Alto-Molocué.
A morte de Dom Osório, mostra segundo dizem os Bispos, a fragilidade humana dentro da Igreja, esta que é sempre reformada. E falam ainda sobre a existência de situações e desafios internos, onde a Igreja Católica precisa examinar-se à luz do Evangelho.
O episcopado convida a todos a reflexão com relação ao fundamento da construção da vida e missão. E esclarecem que, a construção de uma vida orientada para o bem comum, exige de todos, desde os bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas e os leigos, a edificação da sua relação com Deus sobre a rocha, pois, a Igreja precisa de testemunhas da Boa Nova, que levem a sério e com radicalidade o coração do Evangelho, colocando na base de todas as actividades, antes de todas as ocupações pastorais, a sua relação com Deus e a caridade fraterna.
O comunicado encerra com pedindo para que Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Paz, acompanhe o povo de Deus e ensine a permanecer unidos em Cristo, firmes na fé, perseverantes na caridade e alegres na esperança que não engana.
Refira-se que, a reunião extraordinária da Conferência Episcopal de Moçambique foi ainda marcada com a participação dos membros nas cerimónias fúnebres de Dom Januário Machaze, Bispo Emérito de Pemba, este que junto com o também falecido, Cardeal Dom Júlio Langa, fazem parte da primeira geração dos bispos do pós-independência de Moçambique. Cujo contributo para a consolidação da Igreja Católica em Moçambique é reconhecido pelo episcopado, por isso agradecem a Deus pelo seu testemunho.




