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RENAMO: Momento de impulso ou de derrocada?

Mandato de Ossufo Momade como líder da RENAMO chega ao fim e não há data para eleições internas. Exigências de renovação já ultrapassam as fronteiras do maior partido da oposição moçambicana.

A vontade de ver Ossufo Momade fora da presidência da RENAMO ultrapassa as fronteiras do maior partido da oposição moçambicana. Porém, isso parece estar longe de acontecer, pois a Resistência Nacional Moçambicana não tem datas para eleger um novo líder e candidato às presidenciais de outubro. Segundo o porta-voz, o partido enfrenta “desafios”. 

Expiram nesta quarta-feira (17.01) os mandatos de Ossufo Momade como líder do maior partido da oposição em Moçambique, bem como de outros órgãos relevantes. O porta-voz da RENAMO, José Manteigas, garante, entretanto, que não há violação dos estatutos. No entanto, a expectativa interna é de que o Conselho Nacional anuncie a data do congresso que vai eleger um novo líder e candidato às presidenciais deste ano. Mas José Manteigas não tem datas:

“Neste momento, o partido está a preparar-se porque temos desafios importantes pela frente e um deles é a preparação das eleições gerais e provinciais, por isso mesmo estamos a todo vapor a preparar a realização do Conselho Nacional”, revela.

Renovação necessária?

Uma decepção para os seus detratores. A vontade de ver Momade pelas costas é grande na RENAMO e não só; este é acusado de se ter vendido ao regime da FRELIMO e de ser inadequado para concorrer às eleições. As contestações não vêm apenas da RENAMO; a ativista política Fátima Mimbire também é a favor da renovação.

“Eu acho que Ossufo Momade deve ser uma pessoa bastante honesta, e ele próprio sabe das suas limitações”, começa por afirmar. “Não quero acreditar que esteja a ser benevolente na minha análise. A RENAMO não é viável enquanto Ossufo Momade continuar a gerir a RENAMO e se apresentar como candidato às presidenciais. O partido precisa renovar-se”, diz Mimbire.

Figuras jovens do partido têm conseguido mobilizações inéditas de jovens para reivindicar respeito pela democracia nacional e já começaram a assumir a intenção de ocupar o lugar de Momade. Essa assunção, entretanto, tem causado crispações com a velha geração próxima a Ossufo Momade. Esses jovens, que não se sabe por quem foram mobilizados, recentemente protestaram contra a continuidade de Momade.

Andre Thomashausen, analista político, defende igualmente novo sangue na RENAMO, lembrando que “Ossufo Momade faz parte da antiga geração”.

“Não faz sentido [continuar]”, considera, visto que “Moçambique tem uma população muito jovem, os eleitores não têm nenhuma ligação com a guerra civil que acabou em 1992, eleitores que querem saber do futuro, querem ter planos e propostas concretas para que um partido da oposição pense poder fazer no futuro”.

“E é assim, claro, que há uma necessidade absoluta de a RENAMO rejuvenescer a sua liderança e aceitar as personalidades da oposição com credibilidade e com peso na opinião pública”, conclui Thomashausen.

Olhar os sinais

As manifestações contra a megrafraude nas autárquicas de outubro passado colocaram novamente a RENAMO sob as luzes da ribalta, bem como os seus mentores. O movimento deu um novo impulso ao partido, o que nos leva a indagar se a continuidade de Momade pode significar a derrocada da RENAMO.

Fátima Mimbire pondera: “Esse balanço positivo que a RENAMO teve não é mérito da RENAMO, é confiança que a população está a dar à RENAMO, no sentido de dizer ‘nós não queremos a FRELIMO, estamos dispostos a aceitar-vos como RENAMO, mas organizem-se’. Mas se a RENAMO não é capaz de olhar para estes sinais e responder-lhes, ela vai perder o balanço e tenho dúvidas que, em algum momento, se vá reerguer”.

A incerteza paira sobre o futuro da RENAMO, e é caso para se dizer: ou vai ou racha.

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