Rogério Maduca, Beira – Moçambique
Este posicionamento foi tornado público na tarde desta quinta-feira (9/07), pelo Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúre, no Auditório da Universidade Católica em Maputo, durante a conferência de imprensa sobre o balanço da audiência com o Papa Leão XIV.
Durante a conferência de imprensa, Dom Inácio avançou que, partilhou no encontro com o Santo Padre, a sua preocupação com o facto de nada ter recebido das entidades oficiais, sobre os contornos da morte do Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Dom Osório Citora Afonso, se não, apenas o que a imprensa tem estado a divulgar. O que aumenta ainda o seu questionamento, afinal – Quem matou exactamente? – Quem foi o mandante? – Quais seriam as motivações?
Preocupações que não param por ai, pois o Vice-presidente da CEM, Dom João Carlos Hatoa Nunes, também acresce a lista, ao explicar que no final da sua formação, a Igreja não entrega uma arma ao sacerdote, entrega uma bíblia – De onde vem a arma? – questionou o prelado.
A coerência entre o que se proclama e o que se vive por parte dos sacerdotes e consagrados, incluindo o aliciamento de seminaristas por pessoas com posse, oferecendo-se como “padrinhos”, mas que no fim condicionam a forma de agir do “afilhado”, fazem parte dos desafios internos que interpelam a Igreja a entrar em si, avançou o prelado.
O presidente do episcopado moçambicano, falou sobre a busca da verdade, como um caminho que a Igreja percorre neste momento, um caminho de purificação, percurso que não pode ser feito sozinho. E do lado do Papa Leão XIV, os arcebispos que estiveram na audiência, receberam o conforto, extensivo a Igreja de Moçambique, que perante a tragédia da morte de Dom Osório, não pode cair no desespero.
No final da comunicação à imprensa, Dom Inácio Saúre apelou aos órgãos de comunicação sobre a necessidade de divulgar informações com responsabilidade, lamentando o facto de haver casos de manipulação da opinião pública.
Refira-se que, além da audiência com o Papa Leão XIV, os Arcebispos, Inácio Saúre, João Carlos e Cláudio Dalla Zuanna foram recebidos pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, e efectuaram uma visita ao Dicastério para a Evangelização.





