Joaquim Tauzene, Rádio Pax Beira-Moçambique
O novo Mercado de Inhamízua, construído para acolher vendedores retirados das bermas da estrada nacional número Seis (EN6), está longe de cumprir o propósito para o qual foi criado. Algumas das barracas erguidas para a actividade comercial foram transformadas em moradias, num cenário que reflecte o abandono do espaço e as dificuldades enfrentadas pelos comerciantes.
A situação tem origem em 2021, quando o Conselho Municipal da Beira decidiu retirar os vendedores que exerciam actividades ao longo da EN6, alegando preocupações com a segurança rodoviária devido aos frequentes acidentes registados naquela via. Enquanto alguns comerciantes aceitaram a transferência para o novo mercado e investiram na construção das suas bancas, outros contestaram a decisão e recorreram ao Tribunal Administrativo.
É o caso de Rita Armando, que há cerca de dois meses vive numa das barracas do mercado com o marido e cinco filhos. Sem terreno próprio e enfrentando dificuldades familiares, encontrou naquele espaço a única alternativa para ter um lugar onde morar.
Também António Jeremias, transformou a sua banca em residência. Antigo vendedor no mercado, conta que investiu no negócio na esperança de melhorar de vida, mas acabou por perder praticamente tudo devido à falta de movimento comercial.
A preocupação não é apenas económica. Querida Samuel, moradora das proximidades, considera preocupante o abandono do mercado e teme o aumento da criminalidade devido às inúmeras bancas vazias.
Outros residentes defendem que, apesar de a ocupação residencial não ser a solução ideal, a presença de famílias evita que o espaço fique completamente abandonado. Segundo relatam, antes da chegada dos moradores o mercado estava coberto de capim e servia frequentemente de esconderijo para criminosos.
MERCADO DA INHAMÍZUA INFRAESTRUTURA
Enquanto o processo judicial continua sem desfecho, o Mercado de Inhamízua permanece dividido entre a função para a qual foi criado e a realidade que hoje se impõe. Onde antes se esperava encontrar bancas movimentadas e actividade comercial intensa, multiplicam-se agora famílias que transformaram o espaço num lugar para viver, enquanto muitos vendedores continuam a procurar o sustento nas bermas da EN6.





