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Cimeira da UA é “um grande teste” para os líderes africanos

Os líderes da União Africana (UA) iniciam no sábado, em Adis Abeba, a cimeira anual da organização. Analistas preveem um “encontro desafiante”, numa altura em que aumenta a instabilidade em alguns cantos do continente.

Golpes de Estado ou tentativas de golpes, instalação de regimes militares, ressurgimento de ataques terroristas, aumento da instabilidade política, governativa e económica em várias regiões de África são alguns dos grandes problemas que o continente africano enfrenta.

Nos últimos anos, aumentaram ações que põem em risco a democracia e o Estado de direito em muitos países do continente e as organizações sub-regionais parecem estar sem poder fazer nada.

Neste fim de semana, os chefes de Estado e de Governo dos 55 países membros da UA vão sentar-se à mesa para debater estes e outros problemas.

A cimeira será “um grande teste” para os líderes africanos, diz à DW o especialista moçambicano em direito internacional Patrício José. “Será um encontro desafiante como tantos outros, mas com as especificidades de problemas em alguns cantos de África terem se agravado. Tudo isso traz-nos uma África ainda relativamente instável”, destaca.

Na região da África Ocidental, a organização sub-regional   Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) é fortemente contestada pelos Estados-membros, alegando que tem sido incapaz de resolver os conflitos regionais e de ser uma organização que não representa os interesses dos povos.

Blocos fragilizam UA

Para o analista político guineense, Rui Jorge Semedo, o tema dos blocos regionais deve merecer destaque nesta cimeira da UA. “É necessário pensar e repensar se realmente vale a pena a África continuar dividida por blocos ou se vamos também pensar numa perspetiva de desaparecimento desses blocos regionais e ter uma União Africana mais forte, atuante e mais presente dentro da política global continental”, defende.

Rui Jorge Semedo considera ainda que a UA não pode ser uma estrutura continental forte, tendo países com enormes problemas de segurança e cumprimentos das normas democráticas.

“A União Africana deve começar a pensar em atribuir a presidência aos Estados que têm sido exemplo em termos do cumprimento das regras democráticas. Só a partir disso que poderemos vir a pensar numa mudança da abordagem a nível daquilo que tem sido a política da UA face aos desafios atuais”, diz.

Desafios de liderança

Em relação à escolha da nova presidência da UA que está a ser disputada entre a Argélia e Marrocos, Patrício José espera que quem for eleito seja capaz de criar grande consensos.

“Esperamos de facto um desafio no processo de discussão de substituição da atual presidência da União Africana por um dos dois países que têm um conflito de décadas. Mas o que eu acho fundamental para os líderes africanos é demonstrar uma capacidade diplomática de negociar e criar consensos básicos mesmos perante as diferenças para preservar a imagem da África”, diz o especialista moçambicano em direito internacional.

Vários assuntos vão marcar a agenda da discussão em Adis Abeba, com destaque para a situação da paz, a integração regional e o desenvolvimento, que foram os principais temas definidos durante a presidência dos Comores e que não se concretizaram.

O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, que vai estar neste encontro, defendeu a necessidade de reformas na União Africana, que tem demonstrado uma certa incapacidade na resolução dos problemas do continente.

Fonte: dw.com

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