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Freddy fez 10 óbitos e desalojou mais de 22 mil pessoas na Zambézia 

Os dados foram avançados no decurso da reunião do Centro Operativo de Emergência (COE) da província da Zambézia, orientada pelo ministro da Saúde, Armindo Tiago. Além dos óbitos, há registo provisório de pelo menos 14 feridos e quatro mil famílias afectadas, o correspondente a mais de 22 mil pessoas. Os dados são referentes às pessoas que estão exclusivamente nos centros de Quelimane, Nicoadala, Namacurra e Mocuba.

A província da Zambézia vive uma situação de crise humanitária, por conta da passagem do ciclone tropical Freddy, que, além de matar, deixou rastos de destruição sem precedentes. São milhares de pessoas que perderam as suas habitações e, neste momento, não têm onde morar, nem alimentação, muito menos assistência medicamentosa.

Se os dados de balanço provisório avançados pelo COE provincial são referentes apenas aos centros de acomodação de alguns distritos, só em Quelimane há registo de pelo menos 300 mil pessoas que vivem o drama. Daquele número, mais de 50 mil estão nos centros de acomodação activados em diversas escolas.

Na Escola Primária de Sangariveira, foi activado o centro de acomodação, com pouco mais de duas mil pessoas. No referido centro, há pelo menos 264 pessoas em cada uma das oito salas de aula. Dormem em condições desumanas, porque faltam esteiras, cobertores e outros utensílios. As famílias relatam situação de fome naquele centro. Homens, mulheres e crianças estão entregues à sua sorte.

Em Sangariveira, um dos chefes de uma das salas que  acolhe as famílias denunciou a falta de água. Alberto Elizeu disse que as famílias bebem água da chuva sem ter sido tratada: “Estamos a passar por uma situação difícil aqui. Estamos sem água e é por isso que bebemos assim”, precisou.

A questão de saneamento é outro dilema e, se não forem tomadas medidas urgentes, fica iminente a eclosão de doenças como as de origem hídrica.

Depois da reunião do COE provincial, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, fez saber que os centros de acomodação podem provocar uma situação de doenças respiratórias, dado a demanda a que os centros estão sujeitos. Contudo, Tiago anunciou a chegada de um total de nove médicos da Província de Maputo e da cidade da Beira. “São cirurgiões gerais e ortopedistas, uma vez que predomina o trauma, então nós vamos ter estes médicos a apoiar o Hospital Central de Quelimane”, avançou Armindo Tiago.

EN1 INTERROMPIDA NA ZAMBÉZIA 

Está interdito o trânsito rodoviário a partir do distrito de Namacurra para o resto da zona norte da província da Zambézia e vice-versa. Sucede que, por conta da chuva, o rio Namacurra transbordou. “São aproximadamente 500 metros de troço inundado, incluindo os desvios construídos no âmbito de trabalho de estradas em curso. Interditámos para evitar situações de desastres e danos humanos”, disse  Ramino Rubia, delegado provincial da Administração Nacional de Estradas da Zambézia.

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