Joaquim Tauzene, Rádio Pax-Beira Moçambique
O desenvolvimento da primeira infância, compreendido entre os 0 e 8 anos de idade, é reconhecido como uma fase determinante para a formação cognitiva, emocional, social e física da criança. Contudo, na cidade da Beira, este período essencial do crescimento humano decorre, em muitos casos, em contextos de elevada vulnerabilidade social, marcados pela pobreza extrema, exclusão e exposição precoce às ruas.
Entre semáforos, mercados informais e praças públicas, crianças em idade pré-escolar são frequentemente observadas acompanhando os seus encarregados de educação na prática da mendicidade. Esta realidade compromete diretamente o seu direito à educação, proteção e desenvolvimento integral, conforme estabelecido nos princípios de proteção da infância.
É o caso de Marta, mãe de um menino de cinco anos com deficiência visual. Em entrevista à nossa reportagem, ela reconhece os riscos a que o filho está exposto diariamente ao acompanhá-la nas ruas para pedir esmola. No entanto, afirma não dispor de alternativas económicas para garantir o sustento da família, o que a obriga a manter a criança nesta condição.
Outro caso é o de Jeremias Mateus de 7 anos de idade, uma criança que acompanha frequentemente a mãe nas ruas. Apesar das dificuldades, Jeremias expressa o desejo de frequentar a escola e, no futuro, tornar-se enfermeiro. Contudo, a realidade socioeconómica em que vive limita o seu acesso a oportunidades educativas adequadas à sua idade.
Especialistas alertam que a privação de experiências educativas na primeira infância pode ter impactos profundos e duradouros no desenvolvimento infantil. O professor Olímpio Lindaroy Mourinho, com cerca de 25 anos de experiência na área da educação, sublinha que esta fase é crucial para o desenvolvimento integral da criança.
Segundo o docente, crianças expostas precocemente às ruas ficam vulneráveis a riscos como violência, doenças e exclusão social, além de apresentarem maiores dificuldades de aprendizagem e adaptação quando ingressam tardiamente no sistema de ensino.
A fonte defende a necessidade de uma intervenção articulada entre famílias, comunidade e Estado, com foco em políticas públicas de proteção social e promoção do acesso à educação na primeira infância.
IMPACTO DA VULNERABILIDADE SOCIAL NO DESENVOLVIMENTO DA PRIMEIRA INFÂNCIA NA CIDADE DA BEIRA
Na cidade da Beira, esta realidade evidencia a urgência de reforçar políticas de proteção da primeira infância, garantindo que todas as crianças dos 0 aos 8 anos tenham acesso efetivo a cuidados, educação e proteção. Investir nesta fase é investir no futuro do país referiu o nosso entrevistado.





