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Moçambique: “Estão a algemar a liberdade de expressão”

Artistas moçambicanos condenam ameaças e intimidações judiciais na sequência do processo-crime movido contra o menor “Danone”, autor de um vídeo satírico sobre a corrupção na polícia de trânsito.

Em Moçambique, artistas e humoristas dizem-se ameaçados e intimidados pela Justiça, mas garantem que não vão deixar de produzir as suas obras. As denúncias surgem na sequência do polémico caso “Danone”, em que a Procuradoria da República em Chimoio moveu um processo-crime contra uma criança de apenas seis anos de idade por produzir um vídeo satírico sobre a corrupção na polícia de trânsito.

O humorista da província de Manica Narciso Alberto, mais conhecido por Mwana wa Mudhara, condena com veemência a atitude do Ministério Público, afirmando que “o Governo está a intrometer-se numa faixa que não lhe diz respeito”.

“Não sei até que ponto aquele acto é considerado crime. Penso que não é um assunto que deveria levar o tribunal a gastar papel, tempo e um pouco de tudo, porque não passa de uma ameaça para os fazedores da arte. Estão a algemar aquilo que é a liberdade de expressão. Julgo que houve precipitação por parte daqueles que concluíram que aquilo é crime”, acusa.

Talento desperdiçado

Também para Cismo Mutchaiabande, ator de teatro radicado na província de Nampula, a Procuradoria da República está a agir em contramão, ferindo os princípios da lei, que prevê a liberdade de expressão. “É de lamentar, pois estamos a ver um talento novo. O que se devia fazer era procurar mecanismos para acarinhar e encontrar oportunidades para alavancar este talento”, afirma.

Cismo Mutchaiabande

“Fazemos teatro há mais de 20 anos, já estamos velhos, e agora os que estão a vir devem ter um espaço e eles estão a criar e a fazer um esforço. O certo é que ‘Danone’ não pode ser vedado. Ele precisa de evoluir. Nós todos precisamos de melhores artistas no futuro”, sublinha o ator.

Já Caetano Alberto, conhecido por Waru Waru nos meandros artísticos da província de Sofala, considera “muito triste” a atuação da Procuradoria da República em Chimoio.

Caetano Alberto “Waru Waru”

“Não nos sentimos à vontade como fazedores da cultura. Pedimos que a situação melhore e que possamos evitar esse tipo de situações. Faltam-me as palavras para descrever como nos encontramos como artistas. Ficamos com medo de fazer o nosso trabalho mediante este tipo de assunto”, lamenta.

O caso “Danone” terá o seu desfecho no dia 7 de fevereiro com a leitura da sentença, segundo a decisão do tribunal da cidade de Chimoio.

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