Joaquim Tauzene Rádio Pax Beira-Moçambique
Ainda o dia não clareou completamente e muitas mulheres já estão de pé, por volta das 5 horas da manhã, para iniciar mais uma jornada de trabalho no Mercado Maquinino, na cidade da Beira. Com vassouras e outros instrumentos de limpeza, começam cedo a retirar o lixo e a limpar os espaços de venda, para garantir que o mercado esteja em condições de receber vendedores e compradores.
Apesar da importância desta actividade para a higiene e organização do mercado, estas trabalhadoras recebem um salário mensal de apenas 2.200 meticais, valor que consideram importante para a sobrevivência, mas insuficiente para responder às necessidades das suas famílias.
Entre as mulheres que desempenham esta actividade está Fátima Elisa, que começou a trabalhar a 20 de Fevereiro. Apesar de ainda não ter completado um ano de serviço, considera que o emprego representa uma oportunidade de rendimento.
Outra trabalhadora, que exerce a actividade há cinco anos, revela que depende deste salário para sustentar os seus três filhos, incluindo um que frequenta a 9.ª classe. O rendimento ajuda a garantir a alimentação, as despesas escolares e outras necessidades das crianças.
A situação de Joana também reflecte as dificuldades enfrentadas por estas mulheres. Com mais de duas décadas de trabalho, afirma que ainda não conseguiu alcançar grandes conquistas materiais com o dinheiro que recebe. A trabalhadora conta que perdeu a sua casa, que desabou há vários anos, e continua a enfrentar dificuldades para melhorar as suas condições de vida.
O gestor do Mercado Maquinino, Armando, explica que a equipa responsável pela limpeza é constituída por 30 trabalhadores, dos quais 22 são mulheres e oito homens. O responsável reconhece o contributo das trabalhadoras para a conservação do mercado, mas esclarece que qualquer melhoria salarial depende da disponibilidade financeira, uma vez que os pagamentos são assegurados através das contribuições dos vendedores.
Enquanto aguardam por melhores condições, estas mulheres continuam a acordar de madrugada e a trabalhar diariamente para manter o mercado limpo, mesmo perante as dificuldades de sobreviver com 2.200 meticais por mês.





