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ENTRE O MEDO E A POUPANÇA: O DESAFIO DE LEVAR O GÁS DOMÉSTICO ÀS FAMÍLIAS DA BEIRA

Joaquim Tauzene e Isaura Alice, Rádio Pax Beira-Moçambique

Na cidade da Beira, o gás doméstico surge como uma alternativa mais rápida, prática e económica para muitas famílias, mas ainda enfrenta barreiras para conquistar novos consumidores. O medo de acidentes, a falta de informação e o custo inicial para aquisição da botija continuam a levar muitos agregados familiares a manter o uso do carvão vegetal como principal fonte de energia para cozinhar.

Para algumas famílias, porém, a mudança já trouxe benefícios. Karla Francisco Mesa decidiu substituir o carvão pelo gás doméstico e conta que a principal vantagem está na rapidez e facilidade que o combustível oferece no dia-a-dia.

Além disso, Karla destaca também a diferença no orçamento familiar. Segundo explica, atualmente gasta cerca de 950 meticais por mês para adquirir uma botija de gás de 9 kilos, enquanto o carvão vegetal representa uma despesa superior. Para ela, a mudança para o gás não representa apenas uma questão de conforto, mas também uma forma de reduzir os gastos domésticos.

Mas enquanto alguns consumidores já aderiram ao gás, outros ainda mantêm distância por receio dos riscos associados ao seu uso.

Patrícia é uma das moradoras que nunca utilizou gás doméstico. Apesar de nunca ter presenciado um acidente, afirma que informações transmitidas por outras pessoas e conteúdos vistos nas redes sociais aumentaram o seu medo.

O receio também é partilhado por Laurinda, que vive com vários filhos. A consumidora teme que as crianças possam mexer na botija ou no fogão sem conhecimento adequado, criando situações de perigo dentro de casa.

Para Lúcia Lucas Domingos, que utiliza gás doméstico há sete anos, a experiência mostra que o combustível é seguro quando usado corretamente. No entanto, aponta que o custo inicial para aquisição da botija e a falta de pontos de venda próximos em algumas zonas da cidade continuam a dificultar a entrada de novas famílias no consumo do gás.

Do lado dos distribuidores, a procura pelo gás doméstico tem vindo a crescer. Ismael Anselmo, representante da empresa City Gas, uma das distribuidoras de gás na cidade da Beira, explica que muitas famílias estão a optar por esta fonte de energia por ser mais económica em comparação com o carvão vegetal.

Segundo o responsável, a empresa tem registado aumento na procura e procura facilitar o acesso através de campanhas promocionais para aquisição de botijas, embora reconheça que expandir a distribuição para outras zonas continua a ser um desafio.

Além do gás doméstico, especialistas defendem que outras alternativas sustentáveis podem ajudar a reduzir a dependência do carvão vegetal. Leonel Machine, gestor do Centro de Energias Renováveis na cidade da Beira, aponta o biogás como uma solução que pode transformar resíduos sólidos produzidos pelos municípios numa fonte de energia para famílias e instituições.

Na perspetiva ambiental, a transição para fontes de energia mais limpas é vista como uma necessidade. O ambientalista e docente Tongay Caetano alerta que o uso intensivo do carvão vegetal contribui para o corte de árvores e para a degradação das florestas.

Segundo o ambietalista, a redução do consumo de carvão representa ganhos ambientais e económicos para o país.

Apesar das vantagens apresentadas por consumidores, distribuidores e especialistas, a expansão do gás doméstico na cidade da Beira depende ainda de maior sensibilização da população, melhoria da rede de distribuição e criação de condições para que mais famílias possam ter acesso a esta alternativa energética.

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